terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

UNIDADE NA DIVERSIDADE: COMPREENDENDO AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS A PARTIR DE SÃO PAULO APÓSTOLO

Em continuidade á matéria anterior, APRENDENDO A UNIDADE NA DIVERSIDADE, que foi parte do trabalho já mencionado, o que se segue é uma reflexão de todo o Cap. 4 da Carta de São Paulo aos Efésios, utilizada naquela mesma ocasião. Veja a seguir:




"Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Efés. 4:4-6).

Os primeiros três capítulos estabelecem a teologia da unidade cristã, unidade que anula todos os fatores divisores da humanidade. Os últimos três capítulos destacam as implicações práticas dessa unidade na vida do cristão. Agora, Paulo avança da teologia para a prática, da exposição à exortação, do que Deus fez ao que devemos nós fazer em resposta ao que Deus fez por nós. Nossa teologia deve iluminar nossa moralidade, e nossa moralidade deve refletir nossa teologia.
Assim, Paulo volta a atenção para o tipo de vida que os crentes devem ter, de acordo com a grande verdade teológica do mistério de Cristo. A unidade entre judeus e gentios não é mito, mas uma realidade que requer que nos conduzamos "de modo digno da vocação a que fomos chamados" (Efés. 4:1).



Andando de modo digno (Efés. 4:1-3)


Nos três primeiros capítulos, Paulo falou muito do que Deus fez em Cristo por nós. Agora, como resultado, ele nos aconselha a "andar de modo digno" de nossa vocação, e diz como devemos fazer isso.
1. Que cinco graças são fundamentais para o caráter cristão? O que significam elas? Efés. 4:2 e 3


Humildade. Romanos e gregos consideravam a humildade um sinal de debilidade. Para o cristão, no entanto, esta é fonte de força. É o oposto do orgulho. O orgulho está no centro da desunião, enquanto a humildade está no centro da reconciliação, como na encarnação e na cruz (Filip. 2:2-8).


A gentileza ou mansidão é essencial para a unidade da igreja. Sendo o oposto da auto-afirmação, a mansidão não reage diante das ofensas. No fim, os mansos herdarão a Terra (Mat. 5:5).


A paciência ou longanimidade é característica do próprio Deus. Ele é "longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (II Ped. 3:9).


Paciência significa resistência diante da aflição, recusa de vingar as injustiças, e não abrir mão da esperança de reparar relacionamentos interrompidos.
Suportar uns aos outros (Efés. 4:2) significa mais do que tolerância mútua. Envolve o entendimento da outra pessoa e disposição para se perdoarem e aceitar-se mutuamente.


Evidentemente, todas essas graças têm suas raízes no amor, e é esta prática ativa do amor que preserva as relações e promove paz e unidade na comunidade cristã e além.


Humildade, gentileza, generosidade, tolerância mútua e amor – Como você manifestou essas características na semana que passou? Se você pudesse fazer algumas dessas coisas novamente, o que seria? Mais importante, como você evitaria cometer novamente os mesmos erros?

Por que unidade? (Efés. 4:4-6)
2. Qual é a importância da unidade para o cristianismo? Efés. 4:4-6
Efésios 4:4-6 é uma das passagens mais majestosas da Bíblia. A estrutura de sua construção, a grandeza de sua prosa e a fundamentação da unidade na plenitude da Divindade são incríveis. Se alguém ousar fazer a pergunta: "Por que os cristãos devem ser um?", a resposta virá neste argumento inexpugnável: Porque tudo o que se refere à fé e à vida cristã é um.
Deus ordenou a unidade do corpo cristão. Um Deus, por meio de um Cristo nos redimiu do pecado, deu-nos uma fé, nos regenerou por um Espírito, nos fez membros de um corpo por meio de um batismo, e nos deu uma esperança eterna.
A estudarmos esta fórmula séptupla, outro fator significativo precisa ser notado. Toda a Divindade está envolvida na unidade da igreja. Esse tema está em harmonia com o espírito da epístola, que freqüentemente enfatiza o papel da Trindade na história da redenção.
Deus Pai – "o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos" (Efés. 4:6). Ele é tudo em todos.
Deus Filho – "o autor e consumador da nossa fé" (Heb. 12:2), "a esperança da glória" (Col. 1:27), o fundamento da igreja, Seu corpo.
Deus Espírito Santo – o agente de nossa experiência de novo nascimento que nos leva ao batismo (I Cor. 12:13).

"No quarto capítulo de Efésios o plano de Deus é revelado com tanta clareza e simplicidade que todos os Seus filhos podem se apropriar da verdade. Aqui é exposto claramente o meio que Ele designou para manter a unidade em Sua igreja, isto é, que seus membros revelem ao mundo uma experiência religiosa saudável."
Deus une. O amor nos une." Todos gostaríamos de ser instrumentos do amor de Deus. Por que as cinco graças mencionadas na lição de ontem são tão decisivas para experimentarmos essa unidade comentada na lição de hoje?

Unidade: diversidade de dons (Efés. 4:7-11; I Cor. 12:28-31)

Efésios 4:6 fala de Deus como "Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos". A ênfase de que todos temos o mesmo Pai destaca a unidade da igreja. No verso 7, Paulo diz que "a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo". Nem todos receberam o mesmo dom, nem na mesma medida (v. 11). Assim, Paulo se volta de "todos nós" (v. 6) para "cada um de nós" (v. 7) – e então, da unidade para a diversidade na igreja. Diversidade não significa divisão; significa que existem diferentes dons, e esses dons devem ser usados para a unidade da igreja. Afinal, o mesmo Espírito que distribui os dons nos permite trabalhar juntos para o fortalecimento e a edificação da igreja de Deus.

Faça uma lista dos dons citados em Efésios 4:11. Compare com os dons mencionados em Romanos 12:6-8 e I Coríntios 12:28-31. O que Paulo diz sobre a natureza e o uso dos dons? Ao mesmo tempo, pergunte a si mesmo:
Qual é o meu dom?
Como o tenho usado ultimamente?
Como posso aumentar meu dom a fim de torná-lo mais eficaz no trabalho do Senhor?

Unidade: equipados para o ministério (Efés. 4:12 e 13)
4. Acabamos de estudar os dons que Deus deu à igreja. A seguir, Paulo relaciona em Efésios 4:12 duas razões para esses dons. Quais são elas? Como se relacionam?
A primeira é a de equipar os santos para o trabalho do ministério. O termo equipar vem de uma palavra que significa consertar, como remendar uma rede rasgada (Mat. 4:21) ou reparar um osso quebrado. Assim, equipar os santos se refere a preparar, treinar e torná-los prontos para o serviço para o qual eles são chamados.
Isso desperta a pergunta: Quem são os ministros da igreja? De acordo com o Novo Testamento, todos os cristãos são ministros, comissionados pelo próprio Senhor para ir, fazer discípulos de todas as nações, batizar e ensinar (Mat. 28:18-20). O trabalho do ministério não é reservado a uns poucos privilegiados (clero), mas a todos os que professam o nome de Cristo. O ministério cristão é individual, olho-no-olho. Nenhum membro da igreja pode alegar isenção do ministério, e ninguém do ministério pode alegar privilégio exclusivo para a função.
A segunda razão para dar dons é "para a edificação do corpo de Cristo" (Efés. 4:12). Nenhum dom que possamos ter – seja ensino, seja pregação, evangelismo, cura, aconselhamento, visitação, consolação, socorro – deve ser reservado para uso pessoal. Todos esses dons são designados para o bem coletivo e o crescimento da igreja, caso contrário, os detentores terão seus dons retirados (Mat. 25:24-30). A igreja só pode crescer quando seus membros se amam e se interessam uns pelos outros e juntos buscam alcançar a comunidade que os rodeia com a graça e o amor de Cristo. O ministério de todos os membros apressará o dia em que todo o globo será circundado pela mensagem salvadora de Cristo. Assim, a igreja exercerá "a unidade da fé" e receberá a "plenitude de Cristo" (Efés. 4:13). Uma pessoa plena de Cristo não pode permanecer muda quando alguém lá fora está sem Cristo. Este é o motivo do ministério.

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Luciana da Silva