sábado, 30 de agosto de 2008

SONHO DE MORTE E TRANSFORMAÇÃO

LUCIANA DA SILVA
Psicóloga - CRP: 06/73261

Há anos atrás, em certa noite, tive um sonho. Depois de muito refletir sobre ele, surgiu-me a idéia de que me tornar uma pessoa mais inteira é de fato uma experiência de morte que eu simplesmente não poderia evitar.

"Aqueles que participam da mudança têm de participar da morte", escreveu Elizabeth O' Conner, escritora americana.

Senti uma imensa vontade de deixar meus falsos e egoistas padrões morressem. Eu sabia que esses padrões incluiam não apenas as imagens que eu tinha de mim mesma, mas aquelas que os outros tinham de mim. Eu precisa deixá-los morrer.

Santa Tereza de Ávila, certa vez comparou a alma humana ao bicho-da-seda: "É preciso que o bicho-da-seda morra. Sejamos rápidos e teçamos este pequeno casulo... deixe-o morrer".

Para isso, precisamos manter em mente a imagem da pequena borboleta, assim como a das lagartas. Mas como tornar-se uma?

É preciso desejar voar, deixar de ser lagarta. Morrer e transformar-se. É preciso morrer para os velhos papéis e imagens. A vida vai e vem, assim como as ondas do mar. Quer sejam nas grandes ondas ou nas pequenas, precisamos dar o nosso mergulho, contribuir para que as mudanças ocorram em nossas vidas.

A partir desse sonho, as palavras morte e transformação ganharam dentro de mim um novo sentido: "viva e deixe acontecer".

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Luciana da Silva