Em todos nós, a coragem é um elemento necessário para fazer ser e tornar possível. Precisamos de coragem para entregarmo-nos e abrirmo-nos para as mudanças que acontecem na crisálida. É preciso coragem para tornar-se quem de fato somos. É a covardia que nos mantem com mente a mente hesitante entre o mundo do EU e o dos Outros.
O oposto da coragem não é apenas o medo, mas a insegurança. Pode parecer estranho aos nossos ouvidos, mas, precisamos "vender nossa segurança", parar de nos agarrarmos, libertarmo-nos e lançarmo-nos nas profundezas de nós mesmos. É isso que significa abrir-se para a vida.
Em muitos momentos, a segurança atua como negação da vida, pois, a idéia de uma segurança total elimina todo o risco, e onde não há riscos não há qualquer possibilidade de transformação, ou seja, não existe vida real, apenas um ideal de vida.
Até os verdadeiros peregrinos espirituais, que tocam as fronteiras da vida tanto quanto o centro, são pessoas que se arriscam, que se entregam.
CORAGEM, vem da palavra francesa coeur, que significa "coração". Assim, para podermos viajar dos grilhões para a entrega, precisamos nos encher de coragam. O coração é como um cofre da vontade. É esse o lugar onde o suave desenraizamento acontece.
É claro que a entrega, é um processo gradual, no qual precisamos alcançar o nosso próprio momento, o nosso próprio tempo. É natural muitas vezes querermos recuar e deixar que a própria vida, se encarregue de nos dar os encontros e os eventos necessários para ativar nossa coragem.
Mas ao olharmos para trás, certamente perceberemos uma série de experiências que se uniram, para nos levar tranquilamente ao nosso ponto de entrega. Essas experiências, nos são necessárias para que produza-se em nós o efeito de abrirmos lenta e gentilmente os nossos dedos, um a um, tão agarrrados aos medos e inseguranças que adquirimos ao longo do tempo.
É importante compreendermos que, tanto a espera quanto a transformação de doação de nossas vidas, começam para nós quando nos entregamos de fato para a nossa própria vida. Devemos nos entregar para podermos aprender a esperar nossa própria espera, suportar nossas tensões, entrar em nosso próprio sofrimento e nos levantarmos de nossos próprios túmulos e conhecer a vida de verdade a cada dia como se fosse a primeira vez. Essa nova forma de pensar e viver, pode revelar em nós uma nova coragem, a coragem de viver, mesmo que ás vezes consigamos fazer isso, apenas aos poucos e aos pedaços.



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