domingo, 31 de agosto de 2008

"A PARTE E O TODO, O UM E O OUTRO..."

Muitas vezes, falamos do um e do outro, da parte e do todo. Não há um todo sem suas parte, e as relações entre as partes e as suas somas é que formam o todo. Não existe um sem o outro. Precisamos do outro para sermos um.
Vivemos numa sociedade em que sempre se dividiu em partes, homem-mulhar, adulto-criança, com isso, enfranquecendo o todo e, consequentemente, suas partes. Vivemos jogando no outro tudo o que há de ruim no um.

O desconhecimento de si e de suas relações levou a humanidade a escolhas e comportamentos muitas vezes destrutivos. O outro, fosse quem fosse, pode e até deveria ser extinto se assim fosse do desejo de aguns.

É como se as pessoas observassem o mundo por uma janela muito pequena e vivessem apenas num pequeno pedaço da realidade. Desconhecia-se o tempo como fato histórico e como momento.

Hoje, temos história, documentação cientifica, e acesso á elas. Isto possibilita o conhecimento, a dúvida, e dá direito ás pessoas de pensarem, embora o número de pessoas com exercício destes direitos seja ainda muito baixo.

A ampliação da janela da observação da história, e da realidade momentânea, nos traz importantes aquisições.

Luciana da Silva
Psicóloga-CRP: 06/73261

A CORAGEM DE SER...

LUCIANA DA SILVA
Psicóloga-CRP: 06/73261

Em todos nós, a coragem é um elemento necessário para fazer ser e tornar possível. Precisamos de coragem para entregarmo-nos e abrirmo-nos para as mudanças que acontecem na crisálida. É preciso coragem para tornar-se quem de fato somos. É a covardia que nos mantem com mente a mente hesitante entre o mundo do EU e o dos Outros.

O oposto da coragem não é apenas o medo, mas a insegurança. Pode parecer estranho aos nossos ouvidos, mas, precisamos "vender nossa segurança", parar de nos agarrarmos, libertarmo-nos e lançarmo-nos nas profundezas de nós mesmos. É isso que significa abrir-se para a vida.

Em muitos momentos, a segurança atua como negação da vida, pois, a idéia de uma segurança total elimina todo o risco, e onde não há riscos não há qualquer possibilidade de transformação, ou seja, não existe vida real, apenas um ideal de vida.

Até os verdadeiros peregrinos espirituais, que tocam as fronteiras da vida tanto quanto o centro, são pessoas que se arriscam, que se entregam.

CORAGEM, vem da palavra francesa coeur, que significa "coração". Assim, para podermos viajar dos grilhões para a entrega, precisamos nos encher de coragam. O coração é como um cofre da vontade. É esse o lugar onde o suave desenraizamento acontece.

É claro que a entrega, é um processo gradual, no qual precisamos alcançar o nosso próprio momento, o nosso próprio tempo. É natural muitas vezes querermos recuar e deixar que a própria vida, se encarregue de nos dar os encontros e os eventos necessários para ativar nossa coragem.

Mas ao olharmos para trás, certamente perceberemos uma série de experiências que se uniram, para nos levar tranquilamente ao nosso ponto de entrega. Essas experiências, nos são necessárias para que produza-se em nós o efeito de abrirmos lenta e gentilmente os nossos dedos, um a um, tão agarrrados aos medos e inseguranças que adquirimos ao longo do tempo.

É importante compreendermos que, tanto a espera quanto a transformação de doação de nossas vidas, começam para nós quando nos entregamos de fato para a nossa própria vida. Devemos nos entregar para podermos aprender a esperar nossa própria espera, suportar nossas tensões, entrar em nosso próprio sofrimento e nos levantarmos de nossos próprios túmulos e conhecer a vida de verdade a cada dia como se fosse a primeira vez. Essa nova forma de pensar e viver, pode revelar em nós uma nova coragem, a coragem de viver, mesmo que ás vezes consigamos fazer isso, apenas aos poucos e aos pedaços.

sábado, 30 de agosto de 2008

INCLINAR-SE, ENTORNAR E TRANSFORMAR-SE...

"Eu sou um bule de chá, pequeno e gordo. Aqui está a minha alça,
Aqui está o meu bico.
Se você acender o fogo eu grito:
'Incline-me e entorne' ".
(Desconheço Autoria)


Parece estranha a citação escolhida para abrir esta reflexão, mas, para mim é exatamente assim como compreendo a alma humana.

Somos como vasilhas, cheias de uma essência de EGO que nós memos preparamos com o passar do tempo em nossas vidas. Quando o fogo é aceso dentro de nós, e o que é velho começa a queimar, devemos nos utilizar de nossas alças e de nosso bico, derramar para fora do nosso "EU", as velhas formas de ser, de se relacionar. Devemos nos esvaziar, e depois, nos preenchermos com água nova e viva.

Inclinar-se e entornar, é o tema principal contido na escuridão emocional de muitos de nós, entendido por muitos, como "noite escura da alma". Este é um processo necessário e deveria ser universal para a transformação e evolução emocional de todos os seres.

Qual é o vento que se desenrola na noite escura da alma? - É exatamente aí, que somos chamados á transformação, para uma dimensão mais ampla e profunda de nós mesmos. Somos esvaziados do que é velho, das velhas formas de relacionar-se, dos velhos padrões que parecem velhos agasalhos que não mais nos aquecem do frio, que há nas escuras noites de inverno.

A transformação depende do despir-se de si; um processo que envolve desfazer padrões egóicos, reconstruir a história há tanto tempo escrita para si e por si mesmo, desfazendo assim, velhas ilusões sobre si e sobre a vida. Mas este despir-se, requer e cria dentro de nós uma escuridão temporária, como se a ruptura com os velhos padrões e a iluminação que acompanha a descoberta sobre seu "EU VERDADEIRO", criassem uma luz tão intensa, tão brilhante, que nos cegasse por algum tempo.

LUCIANA DA SILVA
Psicóloga - CRP:06/73261

SONHO DE MORTE E TRANSFORMAÇÃO

LUCIANA DA SILVA
Psicóloga - CRP: 06/73261

Há anos atrás, em certa noite, tive um sonho. Depois de muito refletir sobre ele, surgiu-me a idéia de que me tornar uma pessoa mais inteira é de fato uma experiência de morte que eu simplesmente não poderia evitar.

"Aqueles que participam da mudança têm de participar da morte", escreveu Elizabeth O' Conner, escritora americana.

Senti uma imensa vontade de deixar meus falsos e egoistas padrões morressem. Eu sabia que esses padrões incluiam não apenas as imagens que eu tinha de mim mesma, mas aquelas que os outros tinham de mim. Eu precisa deixá-los morrer.

Santa Tereza de Ávila, certa vez comparou a alma humana ao bicho-da-seda: "É preciso que o bicho-da-seda morra. Sejamos rápidos e teçamos este pequeno casulo... deixe-o morrer".

Para isso, precisamos manter em mente a imagem da pequena borboleta, assim como a das lagartas. Mas como tornar-se uma?

É preciso desejar voar, deixar de ser lagarta. Morrer e transformar-se. É preciso morrer para os velhos papéis e imagens. A vida vai e vem, assim como as ondas do mar. Quer sejam nas grandes ondas ou nas pequenas, precisamos dar o nosso mergulho, contribuir para que as mudanças ocorram em nossas vidas.

A partir desse sonho, as palavras morte e transformação ganharam dentro de mim um novo sentido: "viva e deixe acontecer".

VIVENCIANDO AS PRÓPRIAS DÚVIDAS

Um jeito de proteger seu próprio EU, é vivenciando as dúvidas que se escondem na noite escura do seu mundo interior, convivendo de modo criativo com o que ao contrário da dúvida, está "bem resolvido" em si mesmo.
Eu mesma em muitos momentos de minha vida, já vivenciei dúvidas sobre quem eu era, ou tinha sido, ou ainda, sobre em quem estaria me transformando, sobre as dores de minha própria vida, os riscos e os momentos de desorientação.

Convivi com dúvidas sobre como adotar e juntar as partes de mim, quem em certos momentos havia deixado de lado, sobre como curar-me e fazer cicatrizar dentro de mim grandes e velhas feridas, como aprender a ter uma visão maior do mundo, de Deus e de mim mesma.

Sinceramente, não gostei nem um pouco das angústias, das confusões que essas dúvidas causaram-me. Não gostei de duvidar.

Até que em certo momento, cansada de tantas angútias, tantas confusões, porém, repleta de reflexões, pude olhar e dizer a mim mesma:

"Seja paciente com o que não está resolvido em seu coração. Tente amar suas próprias dúvidas, tal como, livros escritos em um idioma desconhecido. Não procure as respostas agora. O segredo está em viver todas as coisas, cada uma á seu modo e tempo próprio. Talvez um dia, você possa viver as respostas, e certamente ás encontrará dentro de você".

De fato, "está certo", disse a mim mesma, abraçar e viver as próprias dúvidas. Pode não parecer, mas é uma ordem fácil de obedecer.

A maioria das pessoas prefere a certeza da miséria à miséria da incerteza. Mas vivenciar as dúvidas, pode ser uma experiência miserável. Nós gostamos de coisas esclarecidas e bem ditas, mesmo que isso signifique um aprisionamento á uma existência falsa e estática.

A mim, aqueles que querem uma vida bem organizada, bem resolvida e de firmes certezas, são as que mais me assustam, pois, aparentam sempre ter todas as respostas e nenhuma dúvida. Será que se esqueceram, do valor transformador de uma dúvida?

Quando eliminamos as perguntas, as dúvidas de nossa vida, passamos a ter um desenvolvimento de consciência muito precário.

As pessoas mais estimulantes da vida, são as que pontuam a vida com pontos de interrogação, tão frequentemente quanto com os pontos finais.

Para vivenciar suas dúvidas, é como uma arte. Você as destaca e as ouve. Assim, você permite que elas gerem novas questões, mantém em si o não saber. Qual é o segredo disso?

Na realidade, os que "demoram" nas questões e nas próprias dúvidas, saberão aproveitar posteriormente, muito mais as respostas que encontrarem, pois, o ato paciente de habitar a escuridão da noite de seu interior, pode finalmente revelar a resposta.


Luciana da Silva
Psicóloga - CRP: 06/73261
Powered By Blogger
Obrigado por acessar o VIVER Reflexões.
Volte Sempre!!! Um forte abraço...
Luciana da Silva