
Por: Luciana da Silva
Psicóloga Clínica e Hospitalar
CRP: 06/73261
“Quem espera que a vida seja feita de ilusão,
Pode até ficar maluco, ou morrer na solidão.
É preciso ter cuidado, pra mais tarde não sofrer.
É preciso saber viver...”
Saber viver... O que é isto? Talvez esta de fato não seja uma questão tão simples de ser respondida, mas certamente, essa é uma questão que hoje nos leva á refletir sobre a questão dos valores entre as pessoas em nossa sociedade.
O ser humano por sua origem, possui uma tendência para viver em sociedade, fazendo parte de uma comunidade organizada com leis, costumes, religiões, etc. Mas para que ele possa fazer parte dessa comunidade organizada é necessário que ele aprenda como funcionam essas leis, costumes ou religiões.
Então poderíamos iniciar a nossa reflexão com as seguintes questões:
“O que são os tão mencionados valores?”
“Como será que os valores e as noções morais são aprendidos e apreendidos?”
Em nosso cotidiano estamos constantemente envolvidos em situações que nos causam sentimentos fortes de medo, orgulho, ambição, vaidade, covardia, dignidade, piedade, indignação por injustiças, horror a violência, aflição ou angústia, e outros sentimentos causados por situações que se manifestam em nosso senso moral colocando a prova a nossa consciência moral, pois teremos muitas vezes que realizar opções fundamentadas neste senso moral, que justifique nossas ações e nos responsabilizemos por elas.
Os valores estão referendados aí pelo senso moral e pela consciência moral – justiça, solidariedade, generosidade, integridade, honestidade e outros. Os valores provam ainda sentimentos de: vergonha, culpa;, admiração, amor, dúvida, contentamento, cólera, medo; que interferem em nossas decisões nos levando a ações que atingirão a nós mesmos e aos outros.Os valores estão sujeitos a transformações, pois oscilam conforme a cultura de cada sociedade. Embora tenha esta característica ele está relacionado a um valor mais profundo e subentendido: o bom ou o bem.
Os sentimentos e as ações, nascidos de uma opção entre o bom e o mau ou entre o bem e o mal, também estão referidos a algo mais profundo e subentendido: nosso desejo de afastar a dor e o sofrimento e de alcançar a felicidade, seja por ficarmos contentes conosco mesmo, seja por recebermos a aprovação dos outros. Portanto, o senso e a consciência moral dizem respeito a valores, sentimentos, intenções, decisões e ações referidas ao bem e ao mal e ao desejo de felicidade.
Como pudemos observar os valores estarão associados ao caminho, correto ou não, que o desenvolvimento da moral acontecer no indivíduo. É durante o período da adolescência, onde é forte a afirmação da própria identidade, que os conflitos morais são ativos. Obedecer a autoridade do adulto não corresponde ao desenvolvimento do próprio EU. Neste movimento contrário cresce a necessidade de liberdade e de coerência consigo mesmo, norteando o caminho de adaptação e autonomia.
É importante sabermos que para a aquisição de valores e noções morais, o indivíduo ou no caso a criança, necessita fundamentalmente de um sentimento: o respeito.
O respeito mútuo deve ser forte o bastante para que a criança experimente, interiormente, a necessidade de tratar os outros como ela gostaria de ser tratada.
Os valores sociais são construídos na medida em que o indivíduo pensa e age em função do outro.
Em outras palavras, a criança interioriza os valores morais na medida em que experimenta relações de cooperação e respeito mútuos.
A cooperação é a essência das relações entre crianças, adolescentes e seus pais, por isso, quando uma regra de cooperação e respeito é infringida, certamente os laços de solidariedade ficam suspensos, pelo menos temporariamente.
Dessa forma, pouco a pouco a criança passa a entender a necessidade das regras e valores e pode assim aceita-los.
Mas para que isso ocorra, é necessário que se construa o mais cedo possível em torno da criança um ambiente aonde o respeito mútuo possa de fato existir.
É necessário deixar claro para a criança em alguns momentos, que determinadas atitudes podem gerar desaprovação, desagrado, pois assim, ela poderá reconhecer através disso o que seria uma atitude inapropriada em determinadas situações.
Em um primeiro momento, a relação da criança com o adulto se estabelece baseada na autoridade. Em um segundo momento, se estabelece na relação entre companheiros num sistema de reciprocidade, ou seja, na sociedade.
Há de se questionar: onde podemos então enraizar um conceito pleno de valores à serem ensinados ás nossas crianças e adolescentes?
A formação de novos indivíduos, que possam ser descobridores de suas potencialidades, e de seu espaço como protagonista de sua história, ou seja, responsável por suas ações, nos desafia a levar não apenas ás crianças e os jovens, mas também aos pais destes, á refletirem sobre o ambiente familiar construído por cada um deles, e de como há sobre este uma responsabilidade, um compromisso que não se resume a este próprio ambiente, mas tem em si, também grande parte de responsabilidade sobre a construção de uma sociedade na qual possa de fato imperar valores pertinentes a seres humanos, pessoas que por mais que possam ter suas diferenças individuais, também são pessoas que têm iguais direitos a viverem de forma digna e justa. É ainda necessário que se reflita com nossas famílias como os valores e as responsabilidades familiares estão a cada dia sendo substituídos, pelo “corre-corre do dia-a-dia, muitas vezes, justificados pelas necessidades básicas de sobrevivência de qualquer indivíduo, mas o que percebemos é que na realidade não é bem assim”.
Percebemos uma nítida desintegração em várias esferas da atividade humana. É necessária uma transformação social apoiada sobre uma fundação moral unificada que deve operar através de praticas éticas ou regras morais unificadas por forma a canalizar as poderosas forças de mudança e de criatividade que giram em grande velocidade por todo o mundo.
Isto significa que, o primeiro entre todos os valores morais, deve ser o da consciência da unicidade da humanidade. A primeira de entre todas as praticas éticas deve ser a da criação da unidade sempre que seja encontrada desunidade/desunião.
O tempo é oportuno para uma reavaliação da educação nos seus princípios de raíz e metáforas da natureza humana.
No final, cabe a todos nós analisarmos cuidadosamente a presente situação. O campo é vasto e está praticamente por trabalhar.
“O desafio é nosso. Os resultados dependem da compreensão da nossa visão e da nossa vontade de a realizar. Tudo aquilo que potencialmente possuis só pode ser manifestado como resultado da tua própria vontade”.