quinta-feira, 31 de julho de 2008

ANSIEDADE



As mãos suam, o corpo treme, a respiração fica ofegante, uma sensação de náusea e aquela palpitação inegável no coração.Todos estes são sinais de um dos males modernos: a ansiedade.

A vida, nos dias de hoje, é repleta de cobranças: no trabalho, na família, nas relações sociais.A cada dia estamos mais cheios de tarefas, compromissos, pendências. Uma lista enorme de coisas a fazer. E nem sempre o tempo é suficiente.

Vem então a sensação desagradável de ter de fazer mais coisas do que damos conta.É comum ouvirmos as pessoas se queixando: “Tenho tanto a fazer e gostaria apenas de dormir.De ficar com minha família, de assistir a um bom filme, de brincar com meus animais de estimação...”

Por outro lado, as exigências da vida moderna nos obrigam a fazer cursos, aperfeiçoar os conhecimentos. É a era da informação. Como conciliar tudo isso com o natural desejo de se instruir, melhorar de vida, aproveitar oportunidades, evoluir? O caminho do equilíbrio é a solução. É natural desejar o progresso e o aperfeiçoamento, tanto nos campos ético-moral, como intelectual.É da natureza humana estar em permanente aprendizado, adquirindo conhecimento e agregando valor à sua bagagem cultural.Mas o grande problema de nossos dias é a ausência de limites. Estamos cada vez mais comandados pelas pressões externas, subjugados pelas imposições dos diversos grupos sociais. Raras vezes pensamos por nós. Não costumamos refletir sobre o que realmente nos interessa. Em geral, tomamos decisões sob extrema pressão.


Resultado: desejamos fazer de tudo um pouco. Queremos ler tudo, não desejamos a pecha de desinformado.E a conseqüência imediata é o stress. O corpo não suporta tanta pressão: adoece. Nossa reação a esse mundo globalizado deveria ser serena: “Vou aprender o que puder, quando puder e no meu ritmo, sem forçar minha natureza.Vou trabalhar no limite de minhas forças, fazendo o melhor que puder, mas sem a obrigação de provar coisas a chefes e colegas de trabalho.”


A tradução disso tudo? Estar no comando da própria vida. Se você acredita em si mesmo, tenha em mente que você jamais fracassará e que encontrará dentro de seu interior a força necessária para superação de suas angústias e ansiedades. Todas as coisas estarão bem se você estiver em paz. Pois a paz vai gerar saúde do corpo. Com isso, você poderá trabalhar, sustentar a família, adquirir os bens que deseja. Apenas seja cauteloso: não se deixe envolver a tal ponto no turbilhão do mundo, de maneira que o mundo o arraste para o olho desse furacão de stress. Vigie suas reações. Monitore seus planos de vida. Pergunte-se: “Para que, realmente, quero isso?” Faça a diferença entre o supérfluo e o necessário e verifique se a sua opção não está contaminada pelos excessos. No final, você verá que, em um processo inteiramente natural, a ansiedade irá, aos poucos, desaparecer. PENSE NISSO...


Luciana da Silva

Psicóloga


terça-feira, 29 de julho de 2008

AS PESSOAS E SEUS VALORES

Por: Luciana da Silva
Psicóloga Clínica e Hospitalar
CRP: 06/73261

“Quem espera que a vida seja feita de ilusão,
Pode até ficar maluco, ou morrer na solidão.
É preciso ter cuidado, pra mais tarde não sofrer.
É preciso saber viver...”

Saber viver... O que é isto? Talvez esta de fato não seja uma questão tão simples de ser respondida, mas certamente, essa é uma questão que hoje nos leva á refletir sobre a questão dos valores entre as pessoas em nossa sociedade.
O ser humano por sua origem, possui uma tendência para viver em sociedade, fazendo parte de uma comunidade organizada com leis, costumes, religiões, etc. Mas para que ele possa fazer parte dessa comunidade organizada é necessário que ele aprenda como funcionam essas leis, costumes ou religiões.
Então poderíamos iniciar a nossa reflexão com as seguintes questões:

“O que são os tão mencionados valores?”
“Como será que os valores e as noções morais são aprendidos e apreendidos?”

Em nosso cotidiano estamos constantemente envolvidos em situações que nos causam sentimentos fortes de medo, orgulho, ambição, vaidade, covardia, dignidade, piedade, indignação por injustiças, horror a violência, aflição ou angústia, e outros sentimentos causados por situações que se manifestam em nosso senso moral colocando a prova a nossa consciência moral, pois teremos muitas vezes que realizar opções fundamentadas neste senso moral, que justifique nossas ações e nos responsabilizemos por elas.
Os valores estão referendados aí pelo senso moral e pela consciência moral – justiça, solidariedade, generosidade, integridade, honestidade e outros. Os valores provam ainda sentimentos de: vergonha, culpa;, admiração, amor, dúvida, contentamento, cólera, medo; que interferem em nossas decisões nos levando a ações que atingirão a nós mesmos e aos outros.Os valores estão sujeitos a transformações, pois oscilam conforme a cultura de cada sociedade. Embora tenha esta característica ele está relacionado a um valor mais profundo e subentendido: o bom ou o bem.
Os sentimentos e as ações, nascidos de uma opção entre o bom e o mau ou entre o bem e o mal, também estão referidos a algo mais profundo e subentendido: nosso desejo de afastar a dor e o sofrimento e de alcançar a felicidade, seja por ficarmos contentes conosco mesmo, seja por recebermos a aprovação dos outros. Portanto, o senso e a consciência moral dizem respeito a valores, sentimentos, intenções, decisões e ações referidas ao bem e ao mal e ao desejo de felicidade.
Como pudemos observar os valores estarão associados ao caminho, correto ou não, que o desenvolvimento da moral acontecer no indivíduo. É durante o período da adolescência, onde é forte a afirmação da própria identidade, que os conflitos morais são ativos. Obedecer a autoridade do adulto não corresponde ao desenvolvimento do próprio EU. Neste movimento contrário cresce a necessidade de liberdade e de coerência consigo mesmo, norteando o caminho de adaptação e autonomia.
É importante sabermos que para a aquisição de valores e noções morais, o indivíduo ou no caso a criança, necessita fundamentalmente de um sentimento: o respeito.
O respeito mútuo deve ser forte o bastante para que a criança experimente, interiormente, a necessidade de tratar os outros como ela gostaria de ser tratada.
Os valores sociais são construídos na medida em que o indivíduo pensa e age em função do outro.
Em outras palavras, a criança interioriza os valores morais na medida em que experimenta relações de cooperação e respeito mútuos.
A cooperação é a essência das relações entre crianças, adolescentes e seus pais, por isso, quando uma regra de cooperação e respeito é infringida, certamente os laços de solidariedade ficam suspensos, pelo menos temporariamente.
Dessa forma, pouco a pouco a criança passa a entender a necessidade das regras e valores e pode assim aceita-los.
Mas para que isso ocorra, é necessário que se construa o mais cedo possível em torno da criança um ambiente aonde o respeito mútuo possa de fato existir.
É necessário deixar claro para a criança em alguns momentos, que determinadas atitudes podem gerar desaprovação, desagrado, pois assim, ela poderá reconhecer através disso o que seria uma atitude inapropriada em determinadas situações.
Em um primeiro momento, a relação da criança com o adulto se estabelece baseada na autoridade. Em um segundo momento, se estabelece na relação entre companheiros num sistema de reciprocidade, ou seja, na sociedade.
Há de se questionar: onde podemos então enraizar um conceito pleno de valores à serem ensinados ás nossas crianças e adolescentes?
A formação de novos indivíduos, que possam ser descobridores de suas potencialidades, e de seu espaço como protagonista de sua história, ou seja, responsável por suas ações, nos desafia a levar não apenas ás crianças e os jovens, mas também aos pais destes, á refletirem sobre o ambiente familiar construído por cada um deles, e de como há sobre este uma responsabilidade, um compromisso que não se resume a este próprio ambiente, mas tem em si, também grande parte de responsabilidade sobre a construção de uma sociedade na qual possa de fato imperar valores pertinentes a seres humanos, pessoas que por mais que possam ter suas diferenças individuais, também são pessoas que têm iguais direitos a viverem de forma digna e justa. É ainda necessário que se reflita com nossas famílias como os valores e as responsabilidades familiares estão a cada dia sendo substituídos, pelo “corre-corre do dia-a-dia, muitas vezes, justificados pelas necessidades básicas de sobrevivência de qualquer indivíduo, mas o que percebemos é que na realidade não é bem assim”.
Percebemos uma nítida desintegração em várias esferas da atividade humana. É necessária uma transformação social apoiada sobre uma fundação moral unificada que deve operar através de praticas éticas ou regras morais unificadas por forma a canalizar as poderosas forças de mudança e de criatividade que giram em grande velocidade por todo o mundo.
Isto significa que, o primeiro entre todos os valores morais, deve ser o da consciência da unicidade da humanidade. A primeira de entre todas as praticas éticas deve ser a da criação da unidade sempre que seja encontrada desunidade/desunião.
O tempo é oportuno para uma reavaliação da educação nos seus princípios de raíz e metáforas da natureza humana.
No final, cabe a todos nós analisarmos cuidadosamente a presente situação. O campo é vasto e está praticamente por trabalhar.

“O desafio é nosso. Os resultados dependem da compreensão da nossa visão e da nossa vontade de a realizar. Tudo aquilo que potencialmente possuis só pode ser manifestado como resultado da tua própria vontade”.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

EU SÓ PEÇO Á DEUS...

NINGUÉM É VÍTIMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS...


LUCIANA DA SILVA
PSICÓLOGA CLÍNICA
CRP: 06/73261

Você está constantemente se Perguntando "por que tudo acontece comigo?"
Já acorda de mal com o mundo e com as pessoas que fazem parte dele? Está sempre pensando no que mais falta te acontecer depois de tudo que já passou? Já perdeu a esperança de acreditar que pode melhorar? Sente que tudo que faz não é reconhecido? Está sempre se lamentando de tudo e de todos?
Todos os acontecimentos e pessoas parecem apenas te prejudicar?
A vida às vezes nos coloca em situações que realmente machucam muito, mas será que ficar se lamentando pelos cantos, ligando para um e para outro, buscando alívio em remédios, bebida, comida, enfim, em fugas inconscientes, podem fazer realmente mudar os fatos? Podem no máximo servir como paliativos durante um tempo, mas com certeza e através de outros motivos, o sofrimento pode voltar. Será que não está na hora de pensar sobre o significado de tudo isso?
Você está constantemente se perguntando "por que tudo acontece comigo?" Todos os acontecimentos e pessoas parecem apenas te prejudicar?
E qual o aprendizado que esses acontecimentos podem estar querendo te trazer? Sim, sempre há o que aprender, ainda que aconteça a pior tragédia, a maior decepção. Por que não olhar para tudo que te fizeram ou te machucaram e parar de fugir ao se colocar como vítima? Com certeza manter o papel de vítima onde ninguém te ama ninguém te quer, não altera absolutamente nada.
O papel de vítima, aquele em que dizemos, "oh, meu Deus, por que comigo?" faz com que permanecemos no mesmo lugar, como se estivéssemos numa porta giratória e que não conseguimos sair. Mesmo que o mundo lá fora continue em toda velocidade, dentro de você tudo se mantém igual.
Passam-se anos e continua a sentir os mesmos sentimentos, como se o fato de chorar e se lamentar fosse o suficiente para parar de sofrer.
Com certeza chorar pode aliviar, mas depois de algum tempo chorando, só acentuará o sofrimento. Beber pode aliviar, comer também, mas adianta? Ou só faz acentuar dentro de você cada vez mais o sentimento de não ser capaz? E depois vem a culpa e conseqüentemente, a autopunição.
Pessoas que se consideram vítimas geralmente dão mais do que recebem, pois em algum momento da vida, aprenderam a dar, confiar e sacrificarem-se pelos outros. Estão sempre computando o mundo entre o bem e o mal, o que deram e o que receberam e o resultado dessa conta é que sempre deram muito mais, ou ainda, receberam apenas a parte ruim. São pessoas que se sobrecarregam, porque nunca conseguem dizer "não". Ao se sacrificarem, acabam sempre manipulando ou controlando quem as cercam.
As pessoas sempre acreditam que não devem entrar em contato com aquilo que as machucam, mas só entrando em contato com nossas dores é que podemos nos libertar delas. Enquanto buscar respostas no externo, em conselhos, em comida, bebida e outro tantos paliativos, não encontrará respostas, pois elas estão sempre muito mais perto, estão dentro de cada um de nós. Nada a fará mudar enquanto você não se permitir se libertar de tudo que a faz permanecer no mesmo lugar.
Seus esforços constituem uma tentativa, consciente ou inconsciente, de obter o que quer que seja desesperadamente. O sacrifício por tudo que fazem pode representar um pedido de que alguém perceba seu real valor, porque ela mesma não o reconhece. Não há permissão para encontrar a si mesma nem para lutar por aquilo que deseja.
Um bom exercício para perceber esse processo é perceber quais evoluções obteve nos últimos anos. Você continua reclamando dos mesmos problemas há quanto tempo? O que mudou? Depois pergunte para si mesma como estará daqui a cinco anos, se continuar agindo com os mesmos comportamentos. Estará como gostaria de estar? Se a resposta for não, faça uma reflexão de quais padrões estão se repetindo em sua vida e o que gostaria de mudar. O que fazer para chegar ao resultado que deseja? Será que se continuar plantando sementes de feijão, irá colher arroz? Com certeza não.
Vítima? Do quê? Para quê? Qual o objetivo de estar sempre se lamentando por tudo que acontece ao invés de estar refletindo sobre os aprendizados? Enquanto seu sofrimento seja por qual motivo for, não for capaz de transformar seus sentimentos, podem ser destruidores para você mesma. Pare de acreditar que só será reconhecida através do seu sofrimento. É preciso entender que você pode se dar, mas sem se perder! Nesse momento perceberá que sua vida depende de você e que nada a fará mudar enquanto não se permitir se libertar de tudo que a faz permanecer no mesmo lugar.

FELICIDADE: COMO VIVÊ-LA NA ATUALIDADE?


A sociedade atual freqüentemente tem lançado mão de inúmeras definições sobre o que supostamente seria “certo ou errado”, e ainda, de inúmeras formas e/ou formulas que supostamente trariam a tão almejada “felicidade”. Como conseqüência disso, percebemos que muitas são as angústias e desafios que perturbam e tornam as pessoas cada vez mais inseguras e confusas, vivendo padrões que caracterizam verdadeiras loucuras, um imenso mal-estar social que se reflete nas relações humanas, cada vez mais dilaceradas por todo esse caos. Por isso, penso que podemos refletir estes padrões ao menos a partir de quatro aspectos que vem sendo nitidamente gerados pela sociedade atual :

· O primeiro é instituir que todos têm de ser bem sucedidos, como se não houvessem significados e desejos individuais a serem respeitados.
· O segundo diz que: “você tem de estar feliz todos os dias e em todos os momentos da vida”.
· O terceiro aspecto: “você tem que comprar tudo o que puder”. O resultado é esse consumismo absurdo.
· E por fim, o quarto: “você tem de fazer as coisas do jeito certo”.

Mas aí, surgem algumas questões: E qual é o jeito certo de ser e estar na vida ou para se fazer as coisas ? O que fazer então?
Ora, não há um caminho único para se fazer ou resolver as coisas, seja qual for o aspecto da vida no qual se encaixam.E como diz o filósofo e escritor Mario Cortella: “Não nascemos prontos e nem com nenhuma espécie de manual de instrução que nos diga a forma mais fácil e certa de viver a vida...” Com isso, coloco aqui a questão: “Mas afinal, será que a vida é só isso?”.
Percebemos que, a maioria das pessoas em alguma fase de suas vidas, mesmo seguindo ás várias regras e fazendo tudo o que se espera delas, não estão felizes e nem satisfeitas, exemplo disso, é o significativo crescimento que vem se dando nas ultimas décadas de distúrbios emocionais tais como a depressão, síndrome do pânico, entre outros.
As metas são interessantes para o sucesso e para o crescimento nas mais diversas áreas da vida de um indivíduo, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Porém, o que percebemos é que as pessoas entendem e vivenciam-na de modo exatamente contrário.
Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento, que por incrível que pareça ela própria um dia desejou e buscou realizar em sua vida.
Assim, atravessamos a vida em busca de respostas a certas questões que são fundamentais e que nos dê algum sentido para a vida.
Com isso, criamos rituais próprios, vagamos de religião em religião. Queremos a qualquer custo direções, qualquer sinal que nos mostre qual o melhor caminho para alcançar a tão almejada felicidade.
Presenciamos o desenvolvimento de uma sociedade de pessoas cada vez mais inteligentes intelectualmente, porém, que vem infelizmente caminhando á passos largos para um verdadeiro abismo de analfabetismo espiritual e emocional.
O ser humano está perdido em seus valores, e precisa como nunca resgatar no mais profundo de si sua essencia original, tal qual como foram criados. Ele em sua essência, já dispõe da energia vital e das capacidades necessárias para realizar mudanças em sua vida. Porém, creio que lhe resta ainda o grande desafio de despertar e direcionar concretamente suas energias e capacidades para a realização das transformações que de fato são necessárias.
É necessário que se faça uma reforma pra valer. A reforma de nossas prioridades, algo que seja de fato vital, que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento de todo aquele mal-estar do qual me referia no inicio desta reflexão, não para acumular mais compromissos estéreis e mortais, mas que possa fazer-nos de fato descobrir qual a verdadeira felicidade.
É preciso um restabelecimento das relações de confiança das pessoas com elas mesmas, umas com as outras, pois assim, elas (re) aprendem e (re) encontram dentro de si mesmas o sentido da felicidade.
Concluo esta reflexão, com um breve mas rico trecho dos escritos de São Pedro Crisólogo que diz: “O ser humano não precisa ir buscar fora de si a vitima que deve oferecer a Deus; traz consigo e em si o que irá sacrificar a Deus”. Ou seja, o encontro da felicidade não se dá através de algo que deve ser buscado fora de si. Precisamos encontra-la dentro de nós.

Por isso, sejamos felizes, com nós somos, e com aquilo que já possuímos.
A felicidade é feita de coisas aparentemente pequenas,
pequeninas sementes que precisam ser devidamente semeadas,
para que cresçam fortes, com profundas raízes, pois,
apesar de pequenas, reservam em sua essência belos frutos escondidos,
prontos para nascer e que muitas vezes estão dentro de nós.

(*Luciana da Silva – Psicóloga)

O QUE VOCÊ ESPERA DE UMA RELAÇÃO???




LUCIANA DA SILVA
PSICÓLOGA CLÍNICA
CRP:06/73261

Porque só atração física não é suficiente?
Você sabe o que quer?
Se você está em busca de um relacionamento que o (a) faça feliz, é preciso ter clareza sobre o que deseja na vida a dois.
Muitas pessoas se deixam levar pelas emoções da conquista e sedução e acreditam terem encontrado um(a) parceiro(a) ideal.
A energia provocada pelo encontro amoroso funciona como um vinho delicioso que embriaga causando torpor no corpo e na mente. Ainda que ele ou ela não corresponda, minimamente, ao tipo de pessoa que você deseja para compartilhar a vida a dois, a sensação de ser desejado(a) e a idéia da realização amorosa pode impedir o reconhecimento da realidade.
A atração provocada pela atração física ou ainda pelo desejo de estar perto de alguém não significa que existam afinidades suficientes para se estabelecer e manter um relacionamento a dois.
Pense nas qualidades que mais o(a) atraem para um parceiro e decida quais são aquelas que realmente importam. Decida quais valores deseja para a sua vida sem os quais não conseguiria ser feliz.
Estar consciente do que é fundamental para que possa viver uma vida plena é o primeiro passo para não perder tempo semeando frustrações. É o que acontece quando você se liga a alguém com base em ilusões e falsas expectativas.
Não existem pessoas perfeitas, pois todos estamos em processo de aprendizado e crescimento contínuo. Por isso, idealizar alguém e acreditar que se trata de um príncipe ou princesa encantados é armar armadilhas para si mesmo.
Todos temos defeitos e qualidades, trazemos uma história e crenças sobre o que somos, sobre a vida e sobre os relacionamentos. Quando duas pessoas estão juntas precisam se adequar uma à outra sem abrir mão da própria individualidade.
Entretanto, você precisa ter clareza sobre o que está disposto (a) a aceitar e o que escolhe não acolher como parte da sua experiência. Ao assumir a responsabilidade por suas escolhas, você deixa de culpar o outro pelo que não funciona.
Respeito, aceitação, confiança, admiração são ferramentas que possibilitam a construção de um relacionamento feliz.
Nesse processo, desenvolver a consciência do que está presente a cada momento é a chave para descobrir se vale ou não a pena se envolver com uma determinada pessoa.
Ferramentas Que Fazem O Amor Dar Certo:
Faça uma relação das qualidades que procura no (a) parceiro(a). Observe se essas características estão presentes em você. É comum buscar-se em outra pessoa aquilo que você sente faltar dentro de si próprio (a).
Alerta: a única pessoa que pode se dar àquilo que você deseja é você mesmo(a).
O relacionamento existe para se compartilhar, não para suprir carências.
Você o (a) aceita do jeito que ele(a) é? Ou, secretamente, espera que com o relacionamento ele(a) mude sua forma de agir e de ser? Quando se está apaixonado existe uma tendência a não ver a pessoa como ela é. Ou a achar que o amor irá transformar o outro numa pessoa diferente.
Alerta: se não estiver disposto(a) a aceitar a pessoa como ela é, não vá cair na cilada de esperar que ela mude. Ninguém muda ninguém. A única pessoa que você pode mudar é a si próprio(a).
Vocês têm objetivos de vida compatíveis? Não espere construir uma família com alguém que deixa claro, desde o início, que não tem planos de casar e ter filhos. Saber quais são os objetivos dele(a) e observar se eles estão ou não alinhados com os seus pode poupar sofrimento mais tarde.
Alerta: Não adianta sonhar em viver uma vida de aventuras ao lado de alguém que adora a rotina. Ter objetivos comuns é um dos pilares dos relacionamentos de sucesso. A não ser que esteja querendo se divertir e viver o momento, tenha clareza do que seu(sua) parceiro(a) deseja da vida.
Vocês conseguem estabelecer uma comunicação clara o suficiente para expressar e ouvir o que o outro pensa, sente e deseja? Sem uma boa comunicação entre parceiros dificilmente a relação se sustentará.
Alerta: Uma das formas de alimentar o amor é saber se colocar com objetividade e honestidade, sem usar qualquer circunstância para pressionar, cobrar ou fazer chantagem emocional.
Você está disposto(a) a desenvolver a flexibilidade? Ter flexibilidade é a habilidade de rever pontos de vista, planos ou decisões em função de informações novas que se apresentam. Se vocês combinaram sair para dançar e ele(a) traz trabalho extra para casa, ser flexível significa mudar o programa para um cinema, por exemplo sem maiores problemas.
Alerta: a falta de flexibilidade é responsável por aborrecimentos e conflitos inúteis. A pessoa flexível, capaz de se adaptar às exigência do momento tem muito mais chances de ser feliz no amor do que aqueles que se agarram ao que foi pré-estabelecido.
Lembre-se de que todas as experiências são aprendizados que você incorpora à sua vida. Escolha com clareza as experiências que deseja viver e aceite o fato de que não existem garantias em relacionamentos. A melhor forma de entrar e se manter na vida amorosa, é investir em si próprio aprendendo, crescendo para atingir metas pessoais. Ao fazer isso, alimenta-se a autoconfiança, gerando uma auto-estima elevada que permitirá amar e ser amado(a) com equilíbrio e saúde.

RESSENTIMENTOS: COMO ELES SE FORMAM???


LUCIANA DA SILVA
PSICÓLOGA CLÍNICA
CRP:06/73261

O ressentimento é criado pela mágoa do passado e a ansiedade tem origem na expectativa do futuro. Vamos analisar alguns tópicos importantes sobre o ressentimento e revelar as suas implicações e lançar mão de ferramentas que possam dissolvê-lo.
A maioria dos ressentimentos tem início devido à criação das mágoas que têm origem em alguma decepção amorosa. Antes de prosseguirmos, é importante entendermos que, a decepção amorosa por assim dizer, não restringe-se ás relações amorosas entre homem e mulher apenas, mas ás relações afetivas de um indivíduo nas suas mais diversas formas de expressão. Essa decepção pode ainda, gerar neste ser, também a depressão, pois, na maioria das vezes, o indivíduo ressentido com algo (ou alguém de suas relações) não consegue aceitar as perdas nem mesmo entender os revezes (frustrações) da vida. Estamos em tempos em que é muito comum as pessoas desistirem de seus relacionamentos e, em geral, aqueles que são traídos ou que foram abandonados são os que caem em desequilíbrio e depressão. Todo esse processo cria diversas fixações mentais e emocionais.
Vamos analisar qual a origem de todo esse sofrimento e o ponto-chave da criação dos ressentimentos.
Quando estamos nos relacionando criamos o que chamamos de processo de sedução, ou seja, mostramos uma face especial do nosso ser: somos atenciosos, cativantes, românticos, especiais. Esses aspectos produzem o encantamento que funciona extremamente bem na união; este é um aspecto bilateral, ou seja, tanto o homem quanto a mulher executam consciente e inconscientemente esses atributos para a conquista. Passado algum tempo esses rituais de sedução vão sendo eliminados pois, afinal, cada um já obteve o seu objetivo que era a união. Nesse período o homem e a mulher dizem frases inesquecíveis como: "Faz tão pouco tempo que o conheço, mas parece fazer anos..." ou "Na primeira vez em que te vi, senti que a gente já se conhecia há muitos anos...". Frases místicas e ligadas à alma gêmea são fundamentais nesse processo.
Interessante que cada indivíduo cria a ilusão do mito, ou seja, a mulher endeusa o amado: ele parece ser o príncipe encantado, o deus grego, o gladiador audacioso, o cavaleiro em sua armadura; e o homem vê a mulher como aquela linda donzela, frágil, inocente, pura e bela.
Diante desses atributos gerais o relacionamento toma diversas direções, pois é colocada aí a grande expectativa em relação ao companheiro, exigências são inconscientemente adotadas, um perfil de ser humano perfeito é instalado e a partir do momento em que aqueles pré-requisitos não são preenchidos e as exigências e expectativas não são cumpridas, vamos avolumando as nossas decepções que, em determinado momento, explodem como uma bomba-relógio.
Os problemas de relacionamentos se concentram quando colocamos exigências e expectativas, ou seja, rótulos e pressão em cima do outro e, principalmente, quando depositamos a nossa felicidade em uma pessoa. Por isso pergunto agora: "Em quem você depositou toda a sua felicidade?" Se você respondeu no outro, certamente terá grandes decepções, pois somente nós é que podemos ter consciência integral sobre nossa felicidade, afinal, relacionamento é apenas uma parte dela.
"Quais foram as suas exigências e expectativas em relação ao seu parceiro?" Obviamente você responderá que muitas, como aquelas pessoas que acreditam ainda na obrigação do marido lembrar-se do aniversário de mês do casamento, ou o 6º mês de namoro ou que sua cor preferida é amarela, que eu não gosto do travesseiro baixo ou do tubo da pasta de dente amassado; enfim, milhares de pequenas coisas que nem sempre são as que amadurecem um relacionamento.
Depois de tudo isso ocorre a perda, que na verdade não deve ter esse nome; a palavra perda é adequada quando perdemos objetos; relacionamento não pode ter perdas, afinal, não perdemos nada por aí. Quando usamos esse termo é porque além de exigentes somos possessivos; isso mesmo: o apego pavoroso que destrói os relacionamentos, que gera o ciúme, a perda de liberdade, as mentiras, pois queremos dominar os nossos parceiros e aí começa esse jogo de domínio que obviamente termina em rompimento.
Portanto, exigências, expectativas ilusórias que são muito diferentes de objetivos conjuntos e concretos, além de apego, dominação perfazem o que chamamos de imaturidade de relacionamento. E não pensem que isso é somente para os casais jovens; muito pelo contrário, existem ainda casais que estão neste jogo de dominação, mas ninguém quer dar o braço a torcer, então, criam a insatisfação, a negligência, a desilusão e a infelicidade conjugal.
Quando então acabamos com o relacionamento é gerado o desespero, como se não houvesse nenhuma perspectiva de se resgatar a felicidade; parece que a vida perde o sentido, as cores desbotam, a visão fica monocromática; existe um incrível vazio que dia após dia nos consome, parece que não vamos suportar que tudo o de mais belo acabou e, agora, estamos livres para o sofrimento eterno.
Todas essas conseqüências são marcantes. Olhamos para nós mesmos como se a nossa alma tenha sido arrancada e esquecemos de ver que até então cultivamos a felicidade; e no final esquecemos de pensar que quem está saindo do relacionamento era o que estava infeliz, pois vemos a outra pessoa partir simplesmente. Até com aquele ar de alívio; então, finalizamos julgando: a vida acabou. Mas a vida não acabou! Preste muita atenção no que vou lhe dizer: a vida começou!

A IMPORTÂNCIA DA AUTO-ESTIMA E DA ATITUDE POSITIVA




Luciana da Silva
CRP: 06/73261
Psicóloga Clínica

Ficar desanimado por causa de alguma dificuldade a ser enfrentada cotidianamente, é natural de todo ser humano. Porém, é importante que não deixemos este desanimo nos domine, a ponto de não persistirmos com nossos objetivos, ou pensarmos que não valemos de nada.
Daí, penso que seja interessante abrir esta reflexão a partir das seguintes questões: “Como você reage frente ás dificuldades que a vida lhe proporciona e os erros que você comete diante dessas mesmas dificuldades?, e ainda, ”Quem é a pessoa mais exigente nesta vida com você?”
Penso que o fracasso é uma conseqüência da falta de animo, de auto-estima, de confiança em si mesmo para realizar algo, e que ele só ocorre em determinados de nossa vida quando paramos de tentar.
Devemos aprender a encarar o erro como sendo parte do aprendizado, e quebrar o paradigma de que os erros que cometemos são sempre ruins e devem ser fatalmente punidos.
O mais importante para que alcancemos isso é a tomada da Atitude Positiva. Isso não significa apenas ser otimista, pois a pessoa otimista só reage aos acontecimentos. A característica fundamental da atitude positiva é o que chamamos de Pró-Atividade. Ela é algo que exprime muito mais do que uma simples iniciativa.
Por assim dizer, o individuo Pró-Ativo é aquele que não apenas executa uma atividade, mas, antes mesmo de faze-la questiona, propõe mudanças que levam a melhores resultados, e o mais importante, tem a auto-estima suficientemente alta para encarar os obstáculos que a vida lhe apresenta como oportunidades de crescimento, desenvolvimento e sem demasiado destaque ou deslumbre para que seja percebido pelos outros como arrogante e dono da verdade. É aquele individuo que se expressa positivamente, e não desvaloriza, critica ou desqualifica comentários, idéias ou opiniões alheias. Para estes, problemas, não são meros problemas, mas desafios. Está sempre focado no futuro e não no passado, muito embora se valha deste para resgatar recursos para superação de suas dificuldades. Prefere as propostas ás criticas, não busca culpados e sim soluções, e ainda, substitui os “se...” da vida por “como”, questionado-se sempre sobre “como fazer” ao invés de queixar-se através de perguntas como: “Aí se eu tivesse isso ou aquilo...”
Concluindo, muitos de nós podemos sucumbir frente aos obstáculos que encontramos na vida, se não procuramos tomarmos atitudes mais positivas, se não formos mais pró-ativos, mas o que pode nos proporcionar conquistas ainda mais extraordinárias é se da próxima vez que enfrentarmos uma situação ruim, difícil na vida, lembrarmo-nos de que a escolha é nossa: “Atitude Positiva e Auto-Estima ou então, fracasso e nuvem negra”.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A FELICIDADE




A felicidade não pode ser produto de uma alienação, enganação ou delírio. Ela será inventada por um sujeito que aprendeu a conhecer melhor a si próprio e o mundo em que vive. "Conhecer-se a si mesmo é uma grande valia para a felicidade, tanto para termos noção mais concreta de nossas potencialidades quanto para sabermos dos nossos defeitos".
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Luciana da Silva